Onde estás? Procuro-te nas fotografias que retratam uma vida no pretérito perfeito. Procuro-te por entre os cheiros que me trazem o teu perfume, por entre lugares que me devolvem a tua imagem... Procuro-te mas não te encontro.
Fomo-nos deixando pelo caminho, e hoje não existe rasto de nós. Partiu-se o espelho onde o nosso reflexo se encontrava...e não resta mais nada. Apenas a memória de que estivemos ali os dois, de mãos juntas e entrelaçadas, fazendo juras eternas, como se não conhecessemos os teatros da vida. Mas podemos ter a certeza que um dia estivemos ali, tão perto da perfeição, tão perto que por instantes a tocámos, que por instantes a sentimos.
E guardados ficam apenas pedaços de tudo o que se partiu, guardamo-los em segredo, para que ninguém saiba que dentro de nós ainda existem e que alguns permanecem intactos.
A tempestade onde nos perdemos vai passando, mas ainda não nos vemos, ainda não nos encontramos. Talvez nos tenhamos perdido para sempre. Ou talvez continuemos a fugir um do outro por não querermos cair na ilusão de que os cacos do espelho se voltaram a unir e que nele se encontra novamente a nossa imagem, clara e nítida como um dia foi, quando na verdade os pedaços continuam no chão e por mais que os tentemos juntar não podemos apagar as marcas de um espelho partido onde o nosso reflexo jamais voltaria a ser o mesmo.
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